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Após Roke, paraense desaparece no Japão
Ontem pela manhã, Kanematsu foi resgatado por um helicóptero do Corpo de Bombeiros. Mas Erika não foi localizada. O Ministério das Relações Exteriores informou que está acompanhando o processo de buscas pela brasileira por meio do Consulado-Geral do Brasil no Japão. De acordo com o Ministério, as buscas serão intensificadas nesta sexta.
Os familiares de Érika, que residem em Santarém e no município amazonense de Parintins, estão sendo informados de todos os passos da operação de busca. A família está abalada e apreensiva.
A paraense mora há 10 anos em Nagano, na região Tohoku, parte central do país. Dos quatro filhos, dois moram com ela no Japão e outros dois ficaram em Santarém. Erika morava em Parintins, antes de viajar para o Japão.
Em Parintins, os familiares de Erika souberam do ocorrido pela imprensa. Uma tia de Érika conseguiu contato com o marido da paraense, Elizeu Inomata. Ele informou que está no local onde aconteceu a tempestade, para acompanhar as buscas.
O Tufão Roke provocou ventos de até 126 quilômetros por hora e está indo na direção do Nordeste do Japão. Antes da chegada do tufão, as autoridades japonesas recomendaram atenção redobrada a 16 mil moradores de áreas mais ameaçadas, enquanto cerca de um milhão de pessoas receberam a orientação de deixar suas casas.
Música suave. Se havia algo que acalmava Erika Finey de Alencar Inomata, 34 anos, era música suave. Não se sabe como a predileção iniciou, mas é a primeira coisa que vem à cabeça de Odete de Assis Alencar, 59 anos, mãe de Erika desde que a menina tinha dois anos. Odete nunca pariu um rebento próprio, mas criou seis filhos. Sina materna. Odete tem esperanças de que Erika esteja viva. É uma esperança frágil, mas existe.
“A gente torce, mas aquelas imagens da água forte...” Odete não completa a frase. Ela nunca quis que Erika fosse morar no Japão. “Eu não queria. Pedi a ela para não ir. Disse que ela tinha de tomar conta da filha dela. Eu disse que queria ela aqui”.
Erika, filha de pai japonês, fez como fazem quase todos os que, remotamente, tem algum tipo de ancestralidade japonesa. Foi para o outro lado do mundo tentar a sorte. Trabalhar. Ganhar dinheiro. Voltar em melhores condições financeiras. “Eu vou, mas volto”, garantiu à mãe. Nunca voltou. “Ela foi com a tia dela, a Iolanda”, lembra Odete. “Foi para Manaus, depois conseguiu o passaporte e foi. Por mim, não ia. Toda vez eu pedia para ela voltar, vir embora de lá”.
“Só volto quando tiver condições financeiras”, prometeu Erika. Mas o dinheiro nunca sobrou. E até os contatos eram escassos. “Ela não ligava muito. E sempre era de um orelhão, nunca me deu o telefone. Mais de ano que não falava com ela”, diz Odete Alencar.
Em fevereiro, a irmã de Erika, que também morava no Japão, voltou ao Brasil. Mora em São Paulo. Érika prometeu vir em dezembro passar férias.
Há 16 anos Erika vivia o sonho oriental de dinheiro e melhores condições de vida. Planejava guardar dinheiro para ajudar a vida das filhas. Há a do primeiro relacionamento, com um primo. A filha tem hoje 17 anos.
No Japão, Erika refez a vida amorosa. Casou e teve dois filhos. Odete Alencar não o conhece. Segundo ela, o marido de Erika está em Monte Alegre, com os dois filhos. O pai de Erika mora em Parintins, no Amazonas. Estava viajando e a mulher dele tentava se informar sobre o ocorrido. Até ontem, sem sucesso.
Um amigo, Marco, que estava com Erika Inomata, disse que ouviu por três vezes a amiga chamá-lo pelo nome, enquanto era engolida pelas águas. Erika nunca aprendeu a nadar.
Os 34 anos da brasileira que foi tentar a sorte no Japão foram comemorados no dia 14 de agosto. Se tiver sobrevivido, é um novo nascimento.
A família soube por conta da televisão. Rafaela, uma filha de Erika costuma dormir tarde. Às três da manhã recebeu um telefonema de um amigo que informava ter visto na televisão a notícia. O sobrenome Inomata chamou a atenção.
Quando a notícia foi confirmada, os parentes começaram a ligar uns aos outros. “É uma família grande”, diz Odete Alencar. O espírito aventureiro parece estar presente em todos os irmãos de Erika. Há um irmão em um garimpo. Qual? Não se sabe.
Erika não era de falar muito. Calma. ‘Serena’, diz a mãe. Gostava de música suave, lenta. Prometeu voltar quando a situação melhorasse. Quando tivesse dinheiro suficiente. Quando pudesse por em prática alguns sonhos de quando tinha 18 anos e embarcou rumo ao Japão. Não voltou.